Friday, October 3, 2008

Sonho Americano

Trabalhar nos Estados Unidos é um sonho para todo profissional, principalmente de IT. Quando vislumbrei esta oportunidade, aguarrei o máximo que pude. Como profissional, precisava de novos desafios, sair da zona de conforto, adquirir experiência. Nada como ir para a terra da tecnologia e aprender mais da minha profissão e, mais especificamente melhorar os “skills” em JDEdwards.
Estava indo para uma indústria gigante, uma poderosa fábrica de móveis, com um setor de IT super-organizado. Imaginava o que seria trabalhar com JDEdwards em uma empresa deste porte nos Estados Unidos. Como seria a estrutura que mantém este software? Apesar de utilizar somente o módulo financeiro… mas é um módulo financeiro
que administra bilhões de dólares!
Baseando-se no que vi em algumas grandes empresas no Brasil, imaginava uma estrutura formidável! Uma equipe de DBAs, com pelo menos alguns especializados em JDE; um time de CNCs dedicados ao pleno funcionamento e manutenção do software; analistas de negócios para cada módulo do financeiro e, claro, os desenvolvedores à todo vapor, dos quais eu faria parte. Todos trabalhando dentro de uma metodologia de alto nível.
A organização seria impecável, não aquela bagunça que via em algumas empresas no Brasil. Todos orientados a trabalhar dentro dos padrões de análise e desenvolvimento, com vistas a objetivos e metas específicos. O melhor dos mundos.
Mas, assustadoramente não foi o que vimos. Digo, eu e os prezados colegas brasileiros que chegaram meses antes de mim.
Vimos um time carente, um software praticamente abandonado, DBAs que não sabiam nem direito o que é JDE, CNCs que tinham milhões de outras atribuições e dificuldades em executar tarefas um pouco mais complexas. Os programadores criavam os pacotes e um time de plantão (que também fazia milhões de outras coisas) aplicava estes pacotes à noite.
Havia também sérios problemas estruturais: as tabelas não eram reorganizadas e o servidor não era dedicado. Resultado, o sistema estava uma carroça.
Fiquei estasiado quando vi esta situação. Ainda mais quando vi que vários dos bons procedimentos que haviam quando cheguei foram implantados pelos meus colegas brasileiros, ou seja, eles estavam colocando ordem na casa!
Bom, após me recuperar do susto (se é que me recuperei), decidi olhar a situação com outros olhos e me unir ao esforço dos meus colegas para melhorar a situação. Percebí então que havia oportunidades para crescer.
Um dos DBAs, que fora recém contratado, se uniu a nós e começou a entender melhor o JDE, do ponto de vista do banco de dados. Coincidência ou não, ele é também brasileiro. Isso foi de muita ajuda para começarmos um projeto audacioso de melhoria de performance, atacando na raíz do problema.
Um ponto muito positivo (e verdadeiramente isso está agregando muito à nossa experiência) é o fato de a gerência ter os ouvidos abertos para as nossas opiniões e sugestões. É impressionante como eles valorizam o que sugerimos. Temos a liberdade de apresentar novos projetos, agendar reuniões, organizar e até liderar tarefas!
Essa mente aberta deles, unida ao nosso esforço em melhorar o software e trazê-lo ao menos ao mínimo tolerável nos rendeu projetos de sucesso.
Apesar de as minhas expectativas iniciais terem sido frustradas, no final das contas agradeço a Deus pela oportunidade de estar verdadeiramente agregando em vez de só aprendendo.
Isso traz um pouco mais de tranquilidade ao pensar em encarar desafios futuros em outras empresas. Agora estamos preparados não só a aprender dos “mestres do IT” mas também a propor soluções importantes, baseando-se em nossas experiências. Porque verdadeiramente eles têm carência disso aqui. Ainda bem!

Bom trabalho a todos

Eduardo Camargo dos Santos

2 comments:

  1. Sim , realmente todos temos uma idéia de encontrar um computador quântico numa Empresa nos EUA, um JDE onde a F0911 bate com a F4111 que bate com F41021 ( algo que eu nunca vi ), pacotes automatizados , ... talvez por isso é que inventaram o SOA , porque alguma coisa não andava SOAndo muito bem. Toda Empresa tem uma cultura , não adianta , um grupo de pessoas ou uma pessoa pode fazer toda a diferença. Pra mim, o caos em muitos casos é devido a grande rotatividade de profissionais de TI. Isso acontece muito em São Paulo por exemplo, um projeto de dois anos começa com 30 pessoas e termina com outras 30 pessoas, você junta a isso custo + prazo e pronto. Pode ter sido isso o que deve ter acontecido ai , bem fica essa pergunta.

    Parabéns pelo trabalho ai de vocês e pelo reconhecimento por parte deles.

    Abraço

    Eduardo Brisolla

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  2. Carregamos mesmo essa expectativa de que ao chegar nos EUA o "melhor dos mundos" será encontrado.

    Projetos rodando à todo vapor, metodologias sendo aplicadas na vida real e a coisa acontecendo pra valer.

    Isso que o Eduardo Santos acaba de descrever é a mais pura realidade vivida (pelomenos no cliente que estamos). Quando chegamos pegamos um sistema praticamente abandonado, sem o mínimo de condições. Por exemplo, uma pesquisa por data na UTB na F0911 não demorava menos de 20 minutos para retornar algum dado!! Isso aí... VINTE MINUTOS!! Imaginem como um usuário não se sentia, tendo que esperar 20 minutos para retornar algum valor de uma consulta básica que fazia no sistema.

    Sistema, processos e métodos, tudo fora do lugar. Um verdadeiro caos. Nada muito diferente do que já vivemos em projetos na terra Brazilis.

    Mas aí é que entra um diferencial, aliás, um GRANDE diferencial que nunca vi nada parecido em qualquer cliente ou consultoria que passei: Oportunidade.

    Eles nos dão oportunidades. Oportunidade para dizer o que achamos, mesmo estando errados em alguma questão, se temos algo a falar, eles param tudo e nos dão ouvidos. Na empresa, somos parte do time e não mais um bando de consultores que vieram para tirar o trabalho dos funcionários e ganhar mais que eles. Muito pelo contrário, somos respeitados e podemos sim tomar decisões. Aqui podemos criar novos projetos, geri-los, cobrar os resultados. Temos autonomia para propor coisas novas, melhorias nos processos, mudanças no sistema. Claro, tudo devidamente apresentado, estudado, e aprovado por parte deles. Mas podemos fazer isso!

    Esse tipo de atitude vai totalmente contra a cultura de consultoria no Brasil, onde um consultor, dentro de um cliente não passa de mero recurso para fazer um determinado trabalho. Até hoje me espanto quando, em determinada situação, eles pedem minha opinião sobre um assunto relacionado a algum processo da empresa. E, se eles acharem válida a minha idéia, eles a colocam em prática.

    Para vocês terem idéia de quanto é diferente, o cliente exige que façamos treinamento. Aqui o cliente não se importa em investir no consultor. Algo que soa bastante estranho quando levamos essa realidade para o Brasil. Imagina o cliente pagando uma certificação para um consultor de uma empresa externa.

    Existem muitos outros pontos que tornam a vida de um consultor bastante interessante por aqui. Tirando a questão do trabalho, há também a infra-estrutura que eles disponibilizam, qualidade de vida que se tem, a preocupação com a pessoa... Mas isso será tema para outros posts.

    Um abraço!

    Gustavo Barizon.

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